MOnarquia

O Primeiro Imigrante e o Príncipe
Um Príncipe brasileiro no Império do Japão

Em 2008, comemora-se o centenário da imigração Japonesa, com a visita ao Brasil do príncipe herdeiro do Japão. Há exatamente 119 anos atrás, outro príncipe fazia a mesma visita, só que na direção inversa: era o príncipe brasileiro Augusto Leopoldo Filipe Maria Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Saxe-Coburgo e Bragança, neto do Imperador do Brasil, D. Pedro II.

Augusto Leopoldo era filho da irmã mais nova da Princesa Isabel, a Princesa Leopoldina, com seu marido, o príncipe alemão Augusto Luís Victor de Saxe-Coburgo-Gota.

 

 

A visita de Augusto Leopoldo ao Japão, em 1889, tem um significado especial: Além de ter sido recebido pelo Imperador Meiji (1868-1912), o monarca que modificou para sempre a história do Japão e deu seu nome a uma era de modernização e desenvolvimento, o príncipe brasileiro conheceu o jovem Wasaburo Otake, de 17 anos, que serviu como intérprete da comitiva brasileira.

O navio era o cruzador Almirante Barroso, que fazia uma viagem de circunavegação, comandado pelo futuro contra-almirante e ministro da Marinha, Custódio de Mello. Oito oficiais, entre eles o Príncipe brasileiro, foram recebidos por Sua Majestade o Imperador do Japão, graças à ajuda de Wasaburo Otake, que atuou como intérprete do idioma japonês para o inglês.

O Príncipe Augusto Leopoldo logo fez amizade com o jovem intérprete, convidando-o para integrar-se à tripulação do navio-escola e para conhecer o Brasil. Entretanto, enquanto estavam no meio da viagem, aconteceu o golpe de Estado que derrubou o Império do Brasil - era o 15 de novembro de 1889, e o Príncipe Augusto Leopoldo foi forçado a demitir-se da Marinha, sendo desembarcado no Ceilão.

Wasaburo Otake, entretanto, seguiu viagem, tendo chegado ao Brasil em 1890. Matriculou-se na Escola Naval, regressando ao Japão após quatro anos, para trabalhar como intérprete na Embaixada do Brasil. Em 1918, lançou a primeira edição do Dicionário Português-Japonês, e em 1925, o primeiro Dicionário Japonês-Português. Provavelmente foi o primeiro japonês a residir no Brasil, chegando em nosso país 18 anos antes dos demais imigrantes, que desembarcariam do navio "Kasato Maru", no porto de Santos - SP.

Quanto ao Príncipe Augusto Leopoldo, jamais pôde retornar à Pátria. Ele e toda a Família Imperial Brasileira foram condenados ao exílio pelo governo provisório republicano. O exílio político mais longo da História do Brasil só terminaria no governo de Epitácio Pessoa.


Hoje, vivem novamente no Brasil os descendentes das duas filhas de Dom Pedro II. O Chefe da Casa Imperial do Brasil chama-se Dom Luiz de Orleans e Bragança. Se o Brasil ainda fosse uma Monarquia, Dom Luiz seria o Imperador do Brasil.

Passados cem anos, é a vez de um príncipe japonês visitar o Brasil. Nosso Imperador não é mais reinante, mas as tradições imperiais comuns aos dois povos, ainda hoje tão caras ao povo japonês, permanecem vivas no Brasil integralmente, aos cuidados da Família Imperial Brasileira.

 

Associação Causa Imperial


 

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